Merda. Raios. INFERNO!...Diga: Porque a vida de uma adolescente tem de ser tão complicada? Tudo seria tão simples se a realidade fosse como nos contos de fadas. Aos quinze anos eu encontraria o garoto perfeito! Meu verdadeiro príncipe encantado! Nos casaríamos e viveríamos felizes para sempre! E depois? cinco meses depois de casados estaríamos brigando todo dia e dois meses depois brigando para ver quem fica com o castelo e um mês depois estaríamos assinando os papéis do divórcio. Nossa. Estou tão desiludida que acabei com a alegria dos contos de fadas. Ah, a propósito, sou Nataly Collins, prazer.
- ARRRGH! – resmunguei deitando na grama ao lado de meu melhor amigo. Peter. Nos conhecemos desde criança. Vivemos grudados um no outro. E sempre quando eu surto, COMO AGORA, é ele quem coloca um pouco que sanidade em minha cabeça.
- Estou com medo de perguntar, mas...o que aconteceu? – disse ele tirando seus fones de ouvido com uma expressão meio confusa.
- Os homens são uns completos IDIOTAS, CAFAJESTES, METECAPTOS, ANIMAIS!!– eu disse escondendo o rosto com as mãos e bloqueado o sol. Maldito sol. Odeio sol.
- Puxa. Obrigado pela parte que me toca – Peter disse irônico.
- Ah! Você não conta. – eu disse me sentando.
- Obrigado....QUÊ?! COMO ASSIM EU NÃO CONTO?!
- Você me entendeu. – eu disse indiferente, olhando as unhas.
- Dessa vez passa...e ai? O que você tem? – perguntou novamente.
- Aquele infeliz do Brian! Fica cheio de amorzinho pra lá e pra cá comigo durante a semana, me beija e depois não dá as caras?!Nesse momento, o dito cujo passou com a maior cara de bobo-alegre-não-faço-nada-da-vida-não-sei-do-que-está-falando e nem se quer olhou na minha direção! Sinto o ódio subindo pela garganta. Uma palavra: MATAR.
- Olha ai! Olha ai! Ta vendo? Depois ficam falando que, nós garotas, somos paranóicas!! – eu disse aumentando um pouco meu tom de voz.
- Naty... - ele me chamou, mas não dei ouvidos.
- Palhaçada! E ainda fica andando pra lá e pra cá como se nada tivesse acontecido!! – eu disse mais alto ainda, de propósito, para o ser escutar.
- Naty, as pessoas estão olhando...quer se acalmar? – Peter dizia sentindo a vergonha que eu deveria ter.
- QUE ME ACALMAR O QUE!! – eu disse levantando já descontrolada – SE FOR PRECISO RODO A BAIANA AQUI MESMO!!QUEM AQU....
Nisso, já com metade dos alunos dos jardins da escola olhando pra gente, Peter me puxou pelo braço e me fez cair ao seu lado, com a outra mão ele tapou minha boca.
- Que ficar calada! - Ele susurrou pra mim. Neste momento passaram algumas garotas por nós, com cara de: “Que merda é essa?” – Ela não tomou os remédio hoje. – Peter disse, dando um sorriso sem graça. Depois que elas passaram ele me soltou. – Ta vendo? É por isso que nunca consigo ficar com nenhuma garota dessa escola.
- Claro. È incapacitado e bota a culpa em mim. Pra mim você é indeciso.
- Ta me chamando de gay?! DE NOVO?!
- Claaaro que não! Acha que eu seria capaz de uma coisa dessas?
- Cínica.
Dei um risinho modesto. Ainda estava desanimada por dentro. Me sentei direito ao seu lado e observei Brian ao longe, que conversava com seus amigos, rodeados de garotas. Soltei um típico suspiro feminino de: “ Estou sofrendo por causa de um cafajeste”.
- O que você acha? – perguntei.
- Idiota. Não vale a pena.
- Você diz isso de todo garoto que eu namoro...sério...preciso de uma opinião do ponto de vista masculino.
- Aaah agora eu sou macho pra você é?
- Eu não tenho muita opção. - Sorri sarcásticamente.
- Também não falo mais nada! – ele disse fechando a cara e colocando os fone de ouvido de volta.
- Aaaaah para com isso vai! Você sabe que eu falo brincando.
Ele me ignorou e aumentou o volume daquele maldito celular.
- Pare de me ignorar! – eu disse arrancando o celular da mão dele.
- Ei ei ei! Devolve isso aqui!
- Não! Só depois de uma opinião sincera.
- Senhor...dai-me paciência – disse ele olhando para o céu – Eu mantenho o que eu disse. Ele é um idiota. Você não devia ficar se remoendo por um tipo daquele.
- Mas...mas...eu não to entendendo mais nada!!
- Eu sei...papos do fundo do coração nunca são simples. – ele disse pegando o celular de volta.
Ficamos os dois sentados na grama, observando os alunos felizes em seu intervalo. Encostei a cabeça no ombro de Peter. Me sentia mal. Sentia um nó na garganta e uma vontade de chorar. Mas nunca que eu faria isso na frente de todo mundo. O ombro dele é confortável. Um ombro amigo é sempre confortável. Ficamos assim por um bom tempo. Em silencio. Apenas ouvindo a respiração um do outro.
Até que eu me cansei de ficar sofrendo pelos cantos e resolvi enfrentar o problema de frente! Me levantei e disse ao Peter, encarando Brian.
- Vou falar com ele e resolver tudo de uma vez.
- Peter Pov's -
Não entendo. Simplesmente não entendo o que a Nataly vê nele. Parece que ela só namora cafajeste. Ela estava sentada ao meu lado. Em silêncio. Momento raro ver a Naty em silêncio. Então, senti algo se encostando em meu ombro. Ela havia se apoiado em mim e fitava o chão agora. Uma sensação estranha me percorreu. Senti vontade de abraça-la. Diabo! O que é isso? Ultimamente quando a Naty chega perto de mim sinto essa coisa estranha. Encostei minha cabeça de leve na sua e fechei os olhos. Aquela sensação era estranha, nova...e boa. Estava gostando daquilo. Gostava de ficar perto dela. Gostava de vê-la sorrir.
De repente ela se levantou e disse qualquer coisa. Não consegui ouvir por ainda estar perdido em meus pensamentos. Então ela começou a caminhar em direção ao Brian com um olhar determinado. Ela foi falar com ele.
Xiii....aposto que vai dar merda!
Pensei, em quanto tirava meus fones de ouvido em uma tentativa frustrada, obviamente fracassada, de ouvir a conversa dos dois. Ela puxou ele de sua roda de amigos. Ele fez a cara de inocente mais falsa que eu já vi na vida. Conhecendo a Nataly aposto que ela foi direto ao assunto. Sim. Dito e feito. Pela cara de surpresa dele, ela foi...digamos...bem sutil e delicada como sempre O_O. Ta bom...hora da verdade! Ele vai dar a sua explicação. Estava vidrado naquela conversa, que detalhe: eu não ouvia uma palavra e isso me deixava FRUSTRADO. Umas garotas passaram por mim estranhando minha cara de mongo distraído.
- Que foi? È muito melhor do que as novelas mexicanas que vocês assistem. – Eu disse e elas foram embora. Acho que a Naty tem razão... NÃO! Não sou indeciso!!...incompreendido talvez.
ENFIM! Voltei minha atenção para os dois. Brian falava e Naty estava com a cabeça baixa. Ah não. Ótimo! Mais um idiota que vai magoa-la. Espera ai...Ela levantou a cabeça e ela...DEU UM SOCO NELE?! Meu Deus! Ela esta dando uma surra nele! Droga, se o diretor vê isso vai suspender ela. Ô garota pra se meter em confusão!
Corri até os dois e arranquei Naty de cima dele pela cintura. Ela se debatia e dizia pra eu soltá-la. Dizia que iría matá-lo. No estado em que ela está eu não duvidaria. Sai arrastando ela para longe dali. A levei para trás do prédio da escola onde havia um pequeno jardim. Ela ainda se debatia.
- Naty! Naty se acalma! – Eu soltei ela, e a segurei pelos ombros. Ela levantou a cabeça, seus olhos estavam marejados. – O que ele disse?
- Ah! Você tinha razão! Ele é um completo idiota!! Disse que só ficou comigo aquela semana pra fazer ciúmes na ex-namorada e agora eles voltaram!! – ela disse escondendo o rosto com as mãos. Ela se encostou na parede, e ficou quieta.
Droga, droga, DROGA. Odeio isso. Odeio chorar na frente de alguém! Mas fazer o que? Ser usada dessa forma não é nada legal. Peter pegou minhas mãos e me fez olhar para ele.
- Para de chorar. – Ele disse com uma voz calma e limpando minhas lagrimas. – Você sabe tanto quanto eu que ele não vale a pena. Ainda mantenho o que disse antes: Ele é um idiota e um tipo daquele não merece uma garota tão maravilhosa quanto você.
- Tem razão... – eu disse me acalmando um pouco. – A namorada dele é uma baranga.
- Olha ai! Já está começando a ofender as pessoas alheias...é um começo.
- Ei! Assim até parece que sou um monstro. – Eu disse dando um soco no ombro dele.
- È...já está me batendo...Ela voltou!
- Sem graça! – eu disse rindo.
- Se você me ofender vai se sentir melhor? – ele perguntou. Fiz expressão de quem estava pensando no assunto. – Vamos! Eu sei que você adora fazer comentários sarcásticos sobre a minha pessoa. Aproveite que eu estou deixando e não vou fazer nada.
- Bom, já que você insiste! – quem sou eu pra perder essa oportunidade?
- Então...quando você não estava do meu lado, umas garotas passaram por mim e viraram a cara...o que você diz disso?
- Nem me surpreendo! Elas devem ter pensado que você era gay e já desistiram.
- Porque você tem tanta convicção de que sou gay?
- Ainda acho que você e o Jack tinham um caso ano passado.
- Já ta abusando!
- Awwn...a florzinha não gosta que eu fale do SEU ex?
- Argh! Chega me arrependi! – Ele disse botando os fones de ouvido e dando as costas pra mim.
- Ah! Não fica assim não! Eu respeito sua opção sexual!- Ele parou. Tirou os fones de ouvido e se virou.
- Como é? – Ele disse.
- O que você ouviu. Melhor amigo gay! G-a-y! GAY!
Ele ficou sério. Me encarou. Fiquei encarando ele também. Ele nunca conseguiu me encarar por muito tempo. Mas seus olhos azuis tinham alguma coisa de diferente. Ele então começou a andar em minha direção. Achei que ele fosse me dar um tapa na cabeça como sempre, mas ele me empurrou contra a parede e se aproximou de mim. Ele se aproximou MUITO de mim. Podia sentir a sua respiração. Ele colocou sua mão em meu pescoço e me puxou pela cintura. E me beijou. Ele meu beijou. ME BEIJOU!!
Seus Lábios era tão gentis nos meus que eu esqueci completamente de tudo a minha volta. Ele se separou devagar de mim e me soltou lentamente. Nos encaramos. Ele estava levemente corado e eu sentia meu rosto em chamas!- O sinal já tocou. È melhor voltarmos pra aula – ele disse desviando o olhar e começando a caminhar.
Eu estava em estado de choque. Eu sempre quis ter um beijo roubado. E quem roubou ele foi meu melhor amigo. Não poderia ter sido mais perfeito. Eu ainda mantenho o que disse antes: “ Porque a vida de uma adolescente tem de ser tão complicada? ” Simples! Se ela não fosse complicada, não teria a menor graça.
Alcancei Peter que ia andando na minha frente. Aquele dia, voltamos para a sala de mãos dadas. A primeira vez de muitas outras que viriam.